O pobre desgraçado caiu, tardiamente, na real. Percebeu ele que está só, saiu de seu conto de fadas que nunca existiu, abriu os olhos e não mais encontrou apoio. Sua família o enxerga como um peso, mal se aguentam para o momento em que possam se livrar do pobre desgraçado e carregador da vergonha, mas obviamente de uma maneira rebuscada e sem o risco de um julgamento externo. Esse pobre, não apenas em dinheiro, mas também em experiência e agora em esperança, esperou o contato daqueles amigos que ele sempre estendeu as mãos, esse contato nunca veio; sua ausência não foi percebida e ainda é possível que essas vidas alheias estejam melhor assim, sem um pobre desgraçado, desesperançoso e mesquinho para intervir em suas liberdades. Esse desgraçado só conseguiu ver tudo isso depois de subir uma escada que ele mesmo construiu, uma escada apoiada nos sentimentos de uma outra pessoa, quando essa escada ficou grande o suficiente para que essa pessoa percebesse o peso, não era mais possível continuar construindo, sendo assim, o desgraçado caiu. Após a queda ele desmaiou por um tempo, quando acordou sentia todo o seu corpo e alma doloridos, olhou para o alto e a escada ainda estava lá; mas o que fazer agora? Devia ele tentar escalar novamente, destruir tal escada, deixá-la no mesmo lugar como um enfeite? Nem isso o desgraçado sabia mais, por isso ele esperou o conselho de alguém. Patético, ninguém percebeu que ele havia caído, assim como os moradores de rua são invisíveis aos olhos da sociedade, ele foi largado no chão.
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