Quem sou...

É difícil dizer como você realmente é, pois nós somos "coisas" diferentes de acordo com a maneira que as pessoas nos veêm, então você, meu leitor, após ler pelo menos dois de meus posts, diga-me o que você enxerga de seu ponto de vista privilegiado, a fim de ajudar-me a saber quem eu sou.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Pombas

Cansado, em plena quarta feira, fim de aula, seis da tarde. Sento-me no banco do ponto, ao meu lado senta uma senhora com um pacote de pão. Olho, desvio o olhar, espero meu ônibus. A senhora se levanta, abre o pacote, atira migalhas ao chão. Olho, desvio o olhar, espero o meu ônibus.
Duas, três, cinco, sete pompas chegam e começam a comer, pareciam famintas, comiam como se fosse o último dia da vida delas. A senhora pega um ônibus, as pombas continuam a comer e eu já não olhava mais para os ônibus que passavam, apenas olhava as pombas, e esperava que aquelas migalhas jamais acabassem.
Pessoas passavam, não olhavam as pombas, pisavam nas migalhas, as pombas recuavam, pessoas passavam, migalhas pisadas, as pombas voltavam a comer com a mesma vontade de antes, sem nojo ou frescura, afinal de contas era comer ou morrer. Elas comeram o pão que o humano pisou, e não reclamaram, ou se ajoelharam pra rezar, apenas continuaram a comer.
Parei pra pensar: aonde está o sentimento exclusivo do ser humano, a tal chamada humanidade? A que ponto chegamos? Hoje animais dependem da boa vontade dos extintos humanos, pois o resto já se deixou levar para o lado selvagem.