Decidi agora contar a nossa história:
" Meu pai sempre foi muito rico, e me ensinou a construir o meu império, mas ele nunca conseguiu me explicar como ser feliz. Era verão, eu viajava bastante e tinha costume de pegar trens para as minhas viagens de negócio. A ambição estava no meu olhar, tinha tudo para fechar aquele negócio, e me tornar o maior vendedor de café do Novo Brasil. Trem no horário certo, tempo limpo, até mesmo as pessoas com quem eu encontrava eram pessoas agradáveis.
Fui, entrei naquela grande fazenda dos Oliveiras, uma das famílias mais importantes das redondezas. Eles possuem muitos contatos no exterior e sabem que a nossa próxima safra será grandiosa. Após muita conversa e apresentando números que demonstram a nossa qualidade, fechei negócio. Me retirei do casarão com o sentimento de orgulho, ao tirar os meus pés daquela terra fofa e sentar-me na carruagem, a fim de voltar à estação, meu coração pulava de tanta alegria, em fim realizei o sonho de meu pai. Nada continha a minha alegria, nem mesmo a trepidação da carruagem, causada pelas pedras no chão. Alguns minutos após o início da viagem nos deparamos com uma cena inusitada, uma moça negra aparentemente desacordada, sangrava na beira da estrada:
-Carroceiro, pare - bradei.
-Mas Senhor, deve ser uma escrava!
-Eu mandei parar.
A carruagem foi parada, desci e me agachei, ficando cara a cara com a moça. Fitei-a, seus olhos tão negros quanto a sua pele me encantaram, mas contive-me e realizei o meu propósito, ergui-a, ela sequer falava, apenas gemia e murmurava coisas imperceptíveis. Coloquei-a na carruagem:
-Ande o mais rápido que puder! - ordenei novamente.
Naquele momento, a trepidação me incomodava, não a mim diretamente, mas com o fato de poder estar machucando-a ainda mais.
Chegamos na casa de meu pai, entro com a moça nos braços, clamando por ajuda.
-Pai, chame ajuda! Dna Benta, socorra-me!
-Valha-me Deus, o que é isso meu sinhô? - Questionou a escrava mais velha do meu pai.
-Achei-a jogada no chão da estrada, você pode me ajudar com ela?
-Sim, vô pega água e uns pano.
Não calculei os meus passos, tanto que quando percebi, já estava no meu quarto que não entrava a anos. Deitei-a em minha cama, que Dna Benta sempre mantinha limpa, mas já estava cheia de sangue.
A escrava entrou entrou pela porta e me passou uns panos, ela foi usando outros para limpar a pele da moça.
-Parece que apanhou, meu senhor.
-Perece mesmo.
-E o que vai fazer com ela?
-Não sei, primeiro vamos cuidar de seus ferimentos.
Estava atordoado - e se ela for mesmo uma escrava? E seu o seu dono a quisesse de volta? Bom deixe isso pra depois - e pensei em coisas horríveis.
....."
" Meu pai sempre foi muito rico, e me ensinou a construir o meu império, mas ele nunca conseguiu me explicar como ser feliz. Era verão, eu viajava bastante e tinha costume de pegar trens para as minhas viagens de negócio. A ambição estava no meu olhar, tinha tudo para fechar aquele negócio, e me tornar o maior vendedor de café do Novo Brasil. Trem no horário certo, tempo limpo, até mesmo as pessoas com quem eu encontrava eram pessoas agradáveis.
Fui, entrei naquela grande fazenda dos Oliveiras, uma das famílias mais importantes das redondezas. Eles possuem muitos contatos no exterior e sabem que a nossa próxima safra será grandiosa. Após muita conversa e apresentando números que demonstram a nossa qualidade, fechei negócio. Me retirei do casarão com o sentimento de orgulho, ao tirar os meus pés daquela terra fofa e sentar-me na carruagem, a fim de voltar à estação, meu coração pulava de tanta alegria, em fim realizei o sonho de meu pai. Nada continha a minha alegria, nem mesmo a trepidação da carruagem, causada pelas pedras no chão. Alguns minutos após o início da viagem nos deparamos com uma cena inusitada, uma moça negra aparentemente desacordada, sangrava na beira da estrada:
-Carroceiro, pare - bradei.
-Mas Senhor, deve ser uma escrava!
-Eu mandei parar.
A carruagem foi parada, desci e me agachei, ficando cara a cara com a moça. Fitei-a, seus olhos tão negros quanto a sua pele me encantaram, mas contive-me e realizei o meu propósito, ergui-a, ela sequer falava, apenas gemia e murmurava coisas imperceptíveis. Coloquei-a na carruagem:
-Ande o mais rápido que puder! - ordenei novamente.
Naquele momento, a trepidação me incomodava, não a mim diretamente, mas com o fato de poder estar machucando-a ainda mais.
Chegamos na casa de meu pai, entro com a moça nos braços, clamando por ajuda.
-Pai, chame ajuda! Dna Benta, socorra-me!
-Valha-me Deus, o que é isso meu sinhô? - Questionou a escrava mais velha do meu pai.
-Achei-a jogada no chão da estrada, você pode me ajudar com ela?
-Sim, vô pega água e uns pano.
Não calculei os meus passos, tanto que quando percebi, já estava no meu quarto que não entrava a anos. Deitei-a em minha cama, que Dna Benta sempre mantinha limpa, mas já estava cheia de sangue.
A escrava entrou entrou pela porta e me passou uns panos, ela foi usando outros para limpar a pele da moça.
-Parece que apanhou, meu senhor.
-Perece mesmo.
-E o que vai fazer com ela?
-Não sei, primeiro vamos cuidar de seus ferimentos.
Estava atordoado - e se ela for mesmo uma escrava? E seu o seu dono a quisesse de volta? Bom deixe isso pra depois - e pensei em coisas horríveis.
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