Este texto abaixo foi um texto produzido pelo Kaique Lupo e por mim, um texto que eu achei digno de estar em meu BLOG.
“O salário é uma forma de escravidão.”
“O salário é uma forma de escravidão.”
Proudhon, in: Carlos E. Novaes - Capitalismo para principiantes, SP: Ed. Ática, 2008.
O que é liberdade? No dicionário a definição é a seguinte: condição de uma pessoa de ser livre de qualquer restrição ou controle. A sociedade em geral a considera presente no dia-a-dia, no sistema econômico que vivemos hoje, o capitalismo. Ela pode ser traduzida no direito de agir, crer, locomover-se ou expressar-se da formar que bem entender. Mas no sistema capitalista essa almejada liberdade condiz com sua definição? Não.
A liberdade capitalista significa comprar, trabalhar e comprar... Esse sistema econômico transforma tudo em negócio: lazer, saúde, alimentação, segurança, informação (muitas vezes manipulada), transporte etc. A liberdade capitalista não passa de uma escravidão econômica, isso porque, para viver na sociedade capitalista é preciso trabalhar. E quem ganha com isso? Os donos dos meios de produção. Mantêm milhões de pessoas trabalhando em suas fábricas ou companhias, recebendo salários muitas vezes insignificantes em comparação com o lucro da empresa, e ainda essas mesmas pessoas compram os produtos e serviços oferecidos por essas empresas. Ou seja, é um ciclo vicioso de exploração em que o único beneficiado é o capitalista.
Mas o que mantêm o Capitalismo, se ele é tão desigual? A chamada ideologia, comandada pela classe dominante, convence os dominados, de que suas ideias estão corretas, através dos meios de dominação (educação, informação, religião, costumes etc). Por exemplo, a explicação para um dos grandes maus do sistema capitalista, a desigualdade, é justificada pelos capitalistas como sendo questão de talento individual, natural, ambição etc. É o motivo pelo qual eles dizem: ”as oportunidades são iguais para todos”, ou seja, cada um é responsável pela sua condição de vida, mas isso nem sempre é verdade. Outro exemplo, são os benefícios trabalhistas adquiridos ao longo do tempo que na visão do trabalhador, é um modo de trabalhar mais justo e digno e, na visão do dominante, serve para acomodar os trabalhadores de modo que o sistema continue dando lucro.
Como tudo no Capitalismo, a mão-de-obra também é mera mercadoria. Na ideologia capitalista isso significa um dos pilares da sua liberdade, que segue o princípio de “se você pode vender sua mão-de-obra para qualquer um, você é livre”. Mas, como sempre, não é bem assim. Essa considerada liberdade é muito subjetiva, dependendo de vários outros fatores. A escola (principalmente as técnicas), por exemplo, preparam muitas vezes seus alunos para se tornarem mais um trabalhador com a chamada qualificação, por tanto, o capitalismo transformou o conceito de escola para seu benefício próprio. A competição formada por essa estrutura é grande e beneficia os meios de produção. Então, tudo depende se você está ou não dentro do sistema. Outro exemplo é o desenvolvimento da tecnologia que substituía mão-de-obra e desemprega milhares de pessoas. Concluindo, você não é completamente livre para vender sua mão-de-obra, depende de muitas coisas.
Uma das diferenças entre a sociedade capitalista, escravista e feudal é o modo como são vistas as relações sociais. Por exemplo, os escravos sabiam que eram escravos e que eram “mercadorias” de seu senhor, os servos sabiam que estavam submetidos aos senhores feudais. No entanto, os trabalhadores da sociedade capitalista têm a ilusão da liberdade, mas são meros escravos do capital, através do trabalho.
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